Zé Ninguém e o Hino dos Divergentes

Ontem, enquanto matava as saudades dos hits da minha adolescência, escutei a música Zé Ninguém, do Biquini Cavadão. Eu já ouço essa música há muito tempo, mas somente ontem é que me “encontrei” com o espírito real evocado pelo Zé Ninguém, um rebelde liberto do Sistema e seus dogmas. Eis o Hino dos Divergentes!

A cada verso, uma corajosa questão lançada aos quatro ventos do mundo lobotomizado dos zumbis das massas. E é para as mesmas massas que o Zé Ninguém apela, buscando conscientizá-las de que, se antes as leis de cá “abaixo” eram como as de lá “acima’, agora as leis de “baixo” serão diferentes, bem como os valores daqueles humanos anônimos tratados como gado pelas Elites.

Ainda que a canção pareça se enquadrar, principalmente, na realidade brasileira, pela leis da correspondência — e por uma estranha sincronicidade da qual poucos estão cônscios — podemos ver que é a Matrix o verdadeiro alvo, gerador de toda a ilusão em que nos encontramos.

Abaixo, segue o clipe da música, a partir de um show do Biquini Cavadão e, em seguida, procedo à minha análise dos versos da letra:

Zé Ninguém

Quem foi que disse que amar é sofrer?

“Quem foi que disse?”, uma pergunta petulante, com a função de desafiar algo dito por pessoas pretensamente “sábias” e crido como verdade pela massa geral. Acaso, amar é sofrer? Para amarmos, podemos enfrentar obstáculos e fazer renúncias. Porém, como nos submetermos, alegremente, aos maus tratos para nos enquadrarmos num ideal próprio de lacaios? Não, amar não equivale a sofrer!

Quem foi que disse que Deus é brasileiro?

Nascemos num imenso paraíso tropical que, no entanto, fora contaminado por uma ralé indolente e debochada. Poderíamos nós, orgulhosamente, afirmar que contaremos sempre com a sorte e a fartura de recursos naturais sem fim? Nosso “jeitinho” nos salvará sempre da bancarrota? Se Deus fosse brasileiro, tiraria atestado médico por três dias e Adão teria sido encomendado a algum muambeiro de Foz do Iguaçu.

que existe ordem e progresso…?

Ainda que o adágio Ordem e Progresso esteja presente na bandeira brasileira, ele tem origens em tradições maçônicas. Padrões dos Illuminati e da Matrix ali deixam suas marcas. Hierarquia e ordem são imperativos para o utópico progresso de um povo reduzido à escravidão desde os berços e seviciado até suas covas rasas. Lembremos o adágio maçõnico Ordo ab Chao (“Ordem a partir do Caos”). Ordem (imóvel) e progresso (do Caos) são as duas palavras que norteiam o “glorioso” futuro deste país, abortado desde antes do ano de 1.500.

 Quem foi que disse que a Justiça tarda, mas não falha?

Não apenas a justiça daqui de baixo, mas a suposta Justiça dos “deuses” é parcial. Segundo o que se pensa, as religiões têm como objetivo refazer a ligação, a “ponte”, entra os homens e os “deuses”. Ao mesmo tempo que certos conhecimentos são sonegados ao gado pecador (peccus, em latim, é sinônimo de gado), a severidade é sempre mais terrível por uma tal desobediência e dúvida quanto à “vontade de deus”. A justiça divina, aquela pregada pelas religiões, é tardia e falha, nos cobrando um preço alto por pensarmos de forma independente, não nos restando nada além de obedecer, suplicar e aceitar as “regras”.

Enquanto isso, entidades maléficas têm liberdade para circular pela Terra como em gangues de criminosos, sem ter quem as reprima, contenha ou puna. Não raro, ficamos sabendo que servem em cargos importantes, como carcereiros dos vários Umbrais da vida.

…que se eu não for um bom menino, Deus vai castigar?

Aquele deus de Amor seria o mesmo que prescrevia matanças implacáveis contra os inimigos de Israel, sacrifícios intermináveis de animais, sangue e mais sangue? Era ele mesmo que mandava apedrejar a adúltera? De repente, ele muda e defende a adúltera. O que teria feito o imutável deus do Sinai se transformar num manso cordeiro? Já sei: aquele deus é camaleão, prova de que ele é reptiliano. 😀

O Criador do Universo não é bom ou mal. Ele não perdoa ou condena, nem premia ou castiga. O Criador, a “Mente”, é apenas UM, e nada mais. O que tem a ver o Coração do Universo com a medida dos lados de um templo ou com as regras de degola de um animal para sacrifício? Que Criador seria esse se estivesse babando de raiva, mandando passar na espada todas as mulheres, crianças e idosos de uns cafundós chamados de Canaã?

Os dias passam lentos. Aos meses, seguem os aumentos…

Reencarnar, seguir uma cartilha desconhecida, não memorizada. Reencarnar, servir, trabalhar, apanhar, pagar. Reproduzir, se deixar vampirizar, sugar, obedecer. Pensar, sim, mas dentro dos formatos autorizados pela alfândega do Sinai. Contestar o cinismo é temerário, é herético. Questionar é delito de blasfêmia. Evolução demorada esta, evolução sem registros. Quando lembramos de algo, não sabemos se é uma lembrança autêntica ou resultante de lavagem cerebral. Manipulação segue, taxas, roubos.

O estupro é iminente, assim como a morte e o seguinte acerto de contas. De onde viemos: de Capella, da 25 de Março ou da puta-que-pariu? Fala aí, Senhor, quem é o senhor? Senhor, senhor? “Esta é uma gravação da Embratel. Não foi possível completar a sua chamada. Por favor, verifique o número discado ou consulte Informações 102″.

A cada dia, eu levo um tiro que sai pela culatra…

Terror, violẽncia e trauma. Para nos matar? Nem sempre. É apenas para nos assustar, reduzindo nosso campo de visão ao banheiro no qual nos escondemos para que os assaltantes, intoxicados por drogas, não nos crivem de balas. Nossa mente é encapsulada no modo “reserva”. Não pense, reaja. Não reaja, se esconda como um rato, como um verme sob a terra roxa. Trabalhe como formiga, sim, senhor. Ou como besouro rola-bosta. A cada porrada, seu intelecto é comprimido e relegado a uma zona de artigos não utilizados do encéfalo. A cada insulto, você engole o choro e desenvolve diabetes, gastrite, depressão, câncer ou esquizofrenia. Eles te matam? Não, ainda não precisam de vocẽ morto. Ainda não.

Eu não sou ministro, eu não sou magnata…

Sofro porque sou burro, porque sou jegue. Jegue gosta de sexo, mas não se curva facilmente à cangalha. Apanho das botas de couro, e não gozo a vida. Agentes e gerentes da Elite, esses sim, gozam. Mas, por pouco tempo. Logo, eles serão como fibra recheada com carne estranha, como linguiças embutidas, destinadas ao consumo. Servem ao Dragão e sua ilusão em troca de alguns poucos prazeres da carne, nesses “açougues” onde se vendem cérebros e corações humanos.

Eu sou do Povo, eu sou o Zé Ninguém! Aqui, embaixo, as leis são diferentes.

Não há coisa mais deplorável do que ver um pobre sofredor se refestelando com as migalhas de pão embolorado, aos pés da mesa de seu “deus”, “ídolo” ou “patrão”. Sofrer é preciso, resistir à surra é heróico. Comer é preciso, mas não se tem nem onde defecar. Comer, para quê? Dormir, uma bênção. Sonhar? De vez em quando. Acordar da ilusão: eis a grande aventura e o maior crime. Eu sou um divergente, e meu poder está no anonimato. Minha força reside no orgulho de não carregar o peso da riqueza suja e mal-cheirosa, pateticamente, pelos capatazes ao teu serviço. Minha lei não é a lei “deles”. Nossa lei é a Verdade, nua e crua. Meu destino? Estourar os ferolhos de suas grades e derrubar os portões de sua Fortaleza, cimentada com o sangue de nossas crianças sacrificadas, povoada com nossa energia vital. Foda-se!

Quem foi que disse que os homens não podem chorar?

Sua agressividade é de pedra, minha emoção vale ouro (para mim e para seus vampiros). Sua insensibilidade é esperta, sagaz, mas não sábia. Sua técnica é avançada, mas seu Coração é estéril. Sua herança ríspida, encrustada em nossos encéfalos, será desmantelada. Aquela ervilha pineal, um dia, deixará de nos transmitir suas ordens subliminares, e o tal complexo réptil não terá mais a proteção de meu crânio. A sua agressividade te arrancará de nossas essências, pois nelas não mais encontrará lugar comum.

Quem foi que disse que dinheiro não traz felicidade?

Como o suor do meu rosto, comerei o meu pão. Certo? E o suor do resto de meu corpo? E meu sangue derramado pelos olhos, a quem servirá? Sim, o trabalho dignifica o homem e somente os frutos do trabalho, aplicados entre nossos pares em alegrias verdadeiras, nos farão levantar de nossas tarimbas, todos os dias, e suportar o exílio ao qual nos sujeitaste. A quem pertence as riquezas do mundo, senhor deus da Aliança? A nós, prisioneiros em máquinas de carne, escravos compulsórios de sua penitenciária em forma de planeta, é que não pertecem, claro. Um divergente deve ser coerente. Não invejo as riquezas sujas de seus gerentes e sacerdotes imundos, vendidos e marcados pela sua imundície. Apenas, exijo o que nos compete: respeito, o soldo e a Verdade.

Quem foi que disse que os homens nascem iguais?

A farsa igualitária fede. A uniformização, massificação, a equalização do gado é uma desgraça que seus gerentes nos vendem como um bem. Divides e reúnes. Juntas e dissolves. Não, não nascemos iguais, não crescemos iguais e não moremos iguais. Einstein disse, certa vez, que “deus não joga dados”. Ora, os dados de deus dão sempre o número seis. Quem souber do que falo, entenderá.

 

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