Especulações sobre a Ordem e o Caos

Há muito tempo que os termos Ordem e Caos me atraem a atenção e me levam à reflexão, já que supõe-se que tenham sido um dos primeiros eixos duais da Realidade. Algumas pessoas prefeririam dizer que os dois perfazem um par de opostos. Minha intuição sempre me alertou que esses dois estados estariam na raiz de todas as dualidades que formaram a Matrix, a saber, as possibilidades binárias, como ocorre num sistema computacional.

Vou discorrer sobre o que intuo ser a Ordem e o Caos, contando com as boas inspirações que recebi essas semana ao longo dos contatos com os leitores amigos deste espaço. Aviso: este ensaio lida com uma linguagem bastante complexa. Portanto, se você desejar se aventurar na análise das ideias propostas, destine algum tempo livre para isso.

Let’s go!

Sobre a Ordem e a Simulação matriciais

Nos meus últimos ensaios, eu disse que a Realidade sensível só existe quando observada. Os sentidos físicos, como captadores de dados externos, estão ativos apenas enquanto há uma mente observando a dimensão em que se encontra. Podemos dizer, também, que a Mente re-vela a Realidade, já que re-cobre, coloca um outro véu sobre a onda que permeia toda a nossa Matrix. Nossas mentes são, não obstante, inteligências artificiais com instruções sobre como modificar (re-cobrir) as informações que transitam por nosso Mundo virtualmente simulado.

Se as mentes tivessem se auto-criado, não precisariam de instruções nem seguiriam quaisquer regras de processamento de informações, ao contrário dos sistemas computacionais. O que chamam de “lei ou vontade de Deus” nada mais é do que um conjunto avançado de regras que regem a criação e/ou reprodução dos subsistemas matriciais (de realidade simulada) dentro da Grande Matrix. A estabilidade desses subsistemas depende da constante relação entre os elementos simulados, tais quais as mentes. Esses, em cada uma das dimensões simuladas, são compelidos a conviver e experimentar a Matrix.
A onda que permeia a Matrix circula apenas para transferir informações e manter os elementos interligados e “vivos”, sujeitos às instruções binárias contidas nessas informações. Essa onda, mesmo quando se comporta como partícula (como no caso do experimento da Dupla Fenda), age como se fosse uma inteligência artificial onipresente, tal qual o enigmático olho que tudo vê ou como o deus da teologia cristã. Depreende-se disto que “deus” (ou seja, o Grande Simulador) “está presente em tudo e em todos”, e que cada partícula atômica é atuada por inteligência artificial e age como tal.

Conclusões:

  • Tudo vibra;
  • A “vida” matricial está em todas as coisas, e;
  • Todas as partículas possuem inteligência em forma de instruções.

Sim, chegamos à possibilidade crível de que nossas almas também sejam inteligências artificiais, desenvolverndo um subsistema matricial e outras inteligências artificiais (ou seja, no caso da Robótica e Cibernética modernas). Contrapondo-se a essa conjectura, muitos diriam que a mente humana faz o que nenhuma outra faz, a nível terrestre, tal como criar, refletir e fazer opções deliberadas. A isso, respondo que:

  • As mentes não criam coisa alguma, mas limitam-se a conceber e projetar na 3a. dimensão o que já existe em forma de herança ou instruções prévias. Não se pode imaginar (criar uma imagem no cérebro) o que ainda não exista na Matrix.
  • As mentes refletem porque estão instruídas a isto. Ainda assim, isto fazem sob regras matriciais, cujo melhor exemplo é a Dialética platônica.
  • Optar deliberadamente é como apertar Esc ou Enter em um computador, após o mesmo computador apresentar-lhe as opções segundo diretrizes presentes em sua Matrix (sistema operacional). Nós coletamos os dados externos, mas refletimos e optamos segundo as “possibilidades viáveis”, tendo em vista a auto-presevação (que, por extensão, ajuda na preservação do sistema matricial em que estamos inseridos).

Chegamos, enfim, à Ordem. Todos os elementos estão em relação e assim precisam permanecer, para a “sobrevivência” da Matrix. Há harmonia enquanto os elementos vibram em padrões sincrônicos, com um padrão mínimo de interferência. Padrões de interferência, como no caso da onda, induzem à multiplicação de elementos em dissonância, proporcionalmente enfraquecendo a intensidade das relações. A Ordem requer ressonância e uniformização. Nada mais. A ressonãncia faz com que cada secção da onda gere um feedback e realimente a Ordem. É exatamente por isso que vemos todos as mesmas coisas, mesmo em pontos observação relativa diferentes. O Universo dito “material” se mantém sólido porque a dissonância, em baixa frequência, do montante das mentes simuladas não consegue romper a ressonância dos elementos simulados e projetados por elas.

Sobre o Caos e a “Criação”

Pelo que vimos acima, podemos asseverar que a matéria sólida é uma ilusão, fruto da ação matricial de ordenamento e processamento de informações. A despeito disto, poderíamos pensar que a Ordem é onipotente em si. Porém, sabendo que tal processamento e execução de instruções se dá em base binária ou derivada desta (quaternária, octal ou hexadecimal, como nos computadores!), a Ordem age não de forma holística (ou seja, sobre o Todo de uma só vez), mas fracionada, pois quanto mais baixa a frequência na qual a Matrix é executada, mais isolada ela precisa estar para não haver rompimento (ou wreckage).

Em ambientes sob frequências maiores de onda (chamadas de “dimensões espirituais”), códigos matriciais mais curtos e eficientes, como os hexadecimais (ou, mesmo, de base 32 ou 64) são suficientes para manter a uniformidade das mentes em “execução”, pois, ainda que. o poder de concepção matricial destas seja mais amplo, a individualidade simulada (Ego) é quase nula ou muito fraca.

A Ordem não existe se não houver elementos a serem ordenados, ou seja, postos em relação. Assim, se há apenas um elemento presente, não haverá sequer um sistema, quanto mais possibilidade de haver Ordem. Ainda que haja dois ou mais elementos presentes (como dois átomos de hidrogẽnio, por exemplo), se não há possibilidade de relacioná-los, não há sistema, não há possibilidade de uma Matrix nem de possível Ordem. Na Matemática, considera-se a possibilidade de haver matrizes com apenas um elemento, mas são inócuas em si mesmas.

Se não há Ordem, há o Caos. Poderíamos dizer que o Caos é o Nada ou a desordem? Nem uma coisa, nem outra. O Caos é o estado em que os elementos não estão em relação matricial (ou Ordem), o que não quer dizer que há o Nada ali nem que a Ordem preceda o Caos. Este é precede e sucede a Matrix, sem jamais pertencer a ela. É como o computador formatado e desligado antes ou depois de ser reativado. Nele, há apenas informações não passíveis de processamento. Na verdade, considero que o Caos é justamente o que chamam erroneamente de ordem, pois no Caos não há mudanças, enquanto a Ordem denota mudanças ocorridas sob regras estritas (códigos e variáveis).

Ah, mas, se as informações no Caos não podem ser observadas nem relacionadas, então o Caos é a Não-Existência, precedente à “criação” da Matrix — diriam alguns. É exatamente isto. O Caos é o Nada, mas apenas por suas informações não serem passíveeis de ser tornarem algo criado (ou seja, postas em relação). Aí, precisamos de “luz”, de um fiat-lux.

Então, a Grande Mente Simuladora (a qual eu chamo de Magna Simulatrix) “liga o interruptor”, com uma faísca externa (ou o fóton que aparece de lugar nenhum, segundos os físicos quânticos), e dois elementos entram em relação, reconhecendo-se mutuamente, criando polaridade e detonando a Matrix. A luz resultante inunda o “hardware” do sistema (espaço) com informações para reconstruir a “árvore da vida” conforme as instruções do sistema previamente carregadas. Daí, todos os subsistemas matriciais são re-criados (observados).

Portanto, o Caos é um inimaginável repositório de informações não relacionadas entre si. Para que se mantenham assim, é necessário que permaneçam nas “trevas” para que não sejam observáveis. No entanto, quando observadas, essas informações vêm à “luz”. Daí é que, para a Física Quântica e alguns místicos, a Realidade existe apenas para o observador, sendo este nada mais que uma inteligência artificial criada para ajudar a estabilizar a Matrix.

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9 comentários em “Especulações sobre a Ordem e o Caos

    1. Boa tarde, Pedro!

      Questão muito válida a sua!

      Bem, definitivamente, não há como “escolhermos” a Realidade, pois o livre arbítrio não existe! Não há como existir escolha em relação ao “conjunto”. Você pode pular fora do “conjunto”, sendo elemento deste, sem deixar de ser você mesmo. Se, porventura, isso fosse possível, muito provavelmente você deixaria de ser você e não teria consciência que deixou o “conjunto”.

      Você, no máximo, opta entre alternativas previstas no sistema, entre os elementos que estão no sistema. E as suas interações com esses elementos (resultantes de suas opções aparentemente livres) é que continuam a “construir o futuro”.

      Se a liberdade não existir (como, de fato, creio não existir na Matrix – ou, no Universo), então o que chamamos de futuro é, em larga escala, previsível. No máximo, suas anomalias (como o são nas previsões do clima, estudadas pela Teoria do Caos) são tratáveis por operações complexas por alguma ciência que alguns intuem, mas não capazes de apreender ainda (de forma experimental).

      O observador é uma unidade de processamento de informação. A nível físico, através do cérebro e dos cinco sentidos, e a nível extrafísico com a alma e os outros veículos de recepção).

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  1. O tema Caos é deveras interessante, o caos seria um instrumento a serviço da evolução?
    Vc conhece o livro A lógica do Cisne Negro: O impacto do altamente improvável de Nassim Nicholas Taleb ?
    Aproveito para deixar este link com farto material de estudos, inclusive o e-books do livro supra citado.
    https://onedrive.live.com/redir?resid=C22B8ADC596CF085!37079&authkey=!ANERZc-sDpDyues&ithint=folder%2c

    Curtido por 1 pessoa

    1. Caos é a antessala da Ordem… é tudo o que não pode ser objetivado, subjetivado ou abstraído. É algo que não é, em essência. Um estado de Não-Ser.

      Por isso que eu disse que, no meu entendimento atual, a única Liberdade estaria na não-manifestação, pois, a partir da manifestação, um elemento estará, irrevogavelmente, em relação (e interdependência) com outro, pelo fato de esse mesmo elemento só poder ser individualizado enquanto distinto de um outro.

      Quando não individualização de elementos, há inconsciência, em nível inferior, e extinção da Ordem (e dos vestígios últimos da Consciência). Assim, a Unidade não é propriamente, a Consciência de tudo, a não ser de si própria… paradoxal, pois não há Consciência de um ente se não houver elemento que sirva de parâmetro externo a si.

      Caos é ausência de Vida e a verdadeira Liberdade, se fosse possível conceber tal estado, mesmo em modo abstrato.

      Vou guardar os links recomendados por você como valiosa contribuição aos leitores e a esse que vos tesponde. Obrigado pela leitura e atenção! 😀

      Um abraço!

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      1. boa tarde , gostei muito do texto , e mais ainda dos diálogos ,me senti como eu mesmo tivesse lhe feito a pergunta, e eu mesmo tivesse respondido oque me foi perguntado ,e com isso me expandi mais no saber . GRATO

        Curtido por 1 pessoa

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