Afinal, a Civilização de hoje tem saída?

Muitos leitores têm me questionado no Facebook acerca de uma saída para o estado atual de nossa pretensa civlização. Este estado de coisas, obviamente, é resultado da alienação mental à qual está submetida a totalidade das massas humanoides do planeta. No entanto, tomemos, por ora, o cenário político global como fração a ser discutida. Acredito ter algumas coisas válidas a dizer aos leitores deste espaço.

Uma das questões que sempre me inquiteram é: Seria melhor termos um mundo unido com interesses diferentes ou dividido e com interesses em comum? Ou seja: o melhor seria o globalismo ou o anarquismo?

A quem não está muito acostumado com os conceitos envolvendo esses dois termos, lembremos que:

  • Globalismo é o sistema onde todas as populações, governos e economias do Globo estão todos tão intimamente ligados que a soberania dos povos deixa de ter importância diante das relações sempre mais comprometedoras com os organismos supranacionais (ONU, FMI, Banco Mundial, OMS, OMC, União Europeia, etc.). Na prática, é o sistema implantado para pavimentar o caminho para a Nova Ordem Mundial. Neste sistema, o Estado é apenas o administrador temporário de um dado território nacional, sempre devedor dos bancos e a eles submetido de forma irretorquível.
  • Anarquismo é o sistema ideal em que cada comunidade ou cidade é autossustentável, autônoma (interna e externamente), em que a autodeterminação dos povos é assegurada por vínculos estritamente locais, em oposição ao aparato estatal de administração fazendária. A economia de tal unidade territorial serve, somente, aos habitantes dessa unidade e, eventualmente e por determinação direta da população, auxilia as economias vizinhas. A circulação de moeda, a base de valor, segurança interna, a representatividade e a regência dos processos decisórios são prerrogativas intransferíveis do povo que habita na unidade territorial. Aproxima-se muito do sistema de cidades-Estado gregas, sendo a mais aproximada experiência do que poderíamos chamar de democracia direta. Portanto, o entendimento do que seja anarquismo, hoje em dia, passa muito longe do que realmente esse sistema poderia vir a ser, num cenário ideal.

Após a exposição desses dois conceitos acima, muitos poderão escolher a segunda opção como preferível, tendo em vista os danos causados atualmente pelo Globalismo. Obviamente, há muitos outros pontos a considerar, mas eu, a princípio, sou partidário de um anarquismo ideal, depurado de todo extremismo. Lembremos: anarquismo não é ausência de ordem, mas independência de uma coletividade local em relação a poderes centrais extrínsecos. Por exemplo, poderíamos afirmar que todo movimento separatista, que luta pela autodeterminação de um povo, seria idealmente anarquista, desde que não insuflado por infiltrados, tais como iluministas e revolucionários (como as potências maçônicas assim reconhecidas), que usam as aspirações dos povos em favor de seu projeto de poder, essencialmente globalista.

Um dos ultrajes impostos a nós todos pelo globalismo é o predomínio dos interesses corporativos de bancos e empresas sobre os interesses nacionais. Quando o dólar tornou-se moeda de reserva internacional (ou seja, veio a tornar-se substituto do ouro como padrão de valor), o poder de valoração foi transferido diretamente dos tesouros dos povos para as mãos daqueles que detinham a prerrogativa de imprimir o papel-moeda. As economias, tomadas pelo câncer das dívidas, passaram a ser norteadas não mais pela sustentação das necessidades de seus agentes (o povo e os empresários nativos), mas pela sede de poder das instituições credoras de fora dos países.

Mas, e no anarquismo, como as populações se defenderiam dos poderes estrangeiros, se estivessem divididas em tão reduzidas unidades de governo?

Mesmo que as cidades-Estado gregas não fossem democracias reais, os governantes estavam mais ao alcance do crivo do povo. Mesmo um ditador como Péricles, em Atenas, estava constantemente buscando ser “amado” pelo Dimos, pelo “povão” dos cidadãos livres. Em uma coalizão, a Liga de Delos, conseguiram afastar, ainda que com muito custo, a ameaça do Império Persa, a maior potência militar e política da Antiguidade, depois do efêmero império de Alexandre da Macedônia e do multicontinental Império Romano. Tão logo terminadas as guerras contra os persas, as cidades-Estado gregas voltavam à anterior autonomia (ainda que Atenas sempre estivesse à frente, seguida por Esparta). A união faz a força; a unificação faz a ditadura.

Num mundo com poderes cada vez mais concentrados em poucas mãos, essas quase sempre estranhas aos povos, quando empresas e indivíduos estrangeiros compram ativos e riquezas de um país, caminha-se aí a passos largos para uma ditadura global. Isso acontece porque, num mundo dividido e com o capitalismo reinante, a distribuição justa de renda não passará de uma utopia, assim como o Socialismo internacionalista também o é. Ambos, o Capitalismo globalista e o Socialismo internacionalista, são faces da mesma moeda e tendem ao mesmo fim ditatorial: Governo Único Mundial. É por isso que declaro, há anos em meus perfis, a exemplo de tantas outras pessoas, que os bancos financiam todos os lados das guerras no mundo atual (desde alguns séculos).

O Mundo tem uma necessidade premente, que é a de deixar de ser um Mercado. Ninguém quer um Mercado governando o Mundo. Queremos que nossas vilas sejam tão autosustentáveis como a totalidade das grandes cidades, sem que aquelas sejam oprimidas por essas e sem que essas paguem pelo desenvolvimento daquelas. O Mundo precisa de cooperação, não de um Mercado. O Mundo precisa educar seus filhos para odiarem a Guerra de extermínio e estarem preparados para defenderem-se à morte, se preciso. No entanto, conhecimentos não deveriam ser comerializados, nem os remédios para a cura de doenças precisarem ser reclamados a uma Corte de Justiça. A educação deveria ser gratuita, mas facultativa e sob a autoridade dos pais, respeitando garantias de civilidade mínimas aos vizinhos.

As relações entre cidades e Estados não deveriam ser de unificação, mas de união (algo bem diferente) e, sobretudo, de cooperação livre e desejável. Compartilhar gratuidades e conhecimentos, não vantagens comerciais. Negociar é um verbo imundo, pois reduz-se a Paz e as decisões acerca das vidas de milhões de pessoas a um igualmente imundo balcão de negócios.

Entendo que um mundo que respeite a diversidade cultural é aquele dividido entre povos que queiram viver de forma autodeterminada, cooperada e sem intromissões de qualquer ordem. A liderança é decidida diretamente pelo povo, sem violência e de forma límpida. O povo elege seu líder, o povo o depõe, se necessário. Porém, isso tudo seria válido num cenário em que a moeda não pudesse ser acumulada, em que todas as pessoas trabalhassem e recebessem soldos diferenciados, mas lucros iguais advindos das aplicações coletivas.

Enquanto as pessoas morarem sobre as riquezas que são negociadas entre alguns poucos magnatas, elas não passarão de gado, que deve ser abatido tão logo torne-se inconveniente e atrapalhe a exploração daquelas riquezas “privadas”.

P.S.: Devemos ter em conta de que há várias abordagens do anarquismo, que vão do socialismo ao municipalismo libertário. Sou partidário deste último viés. Para uma visão geral sobre o Anarquismo, clique aqui.

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8 Replies to “Afinal, a Civilização de hoje tem saída?”

  1. Concordo sim que entre as opções o anarquismo seria o ideal. Tem algumas pequenas cidades em Israel que estão adotando esse tipo de governo, todos produzem/vendem e recebem o mesmo salario em pequenas cidadelas. Lá eles tem medicos/professores/agricultores/comerciantes e etc e todos recebem o mesmo salario, quando uma criança precisa de fazer faculdade fora da cidade, todos bancam, todos comem no mesmo restaurante naquele mundinho em perfeita harmonia. Acho admiravel a atitudade deles. Me lembra o Walden II essa especie de anarquismo, mas claro que considerando o mundo em que vivemos, seria algo mais tipo: “admiravel mundo novo” ou “Equilibrium”(filme).
    Abraço, paz e luz!

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