Magna Simulatrix: A Mente e o Multiverso

Há alguns dias atrás, estava eu diante do mar em uma praia próxima ao local de meu trabalho. É um lugar que não chega a ser esplendoroso, mas de onde dava de contemplar aqueles movimentos ritmados, típicos das frequências caleidoscópicas. Água vai, água vem. Água mole, pedra dura. E aí, veio-me a inspiração para pensar sobre a Magna Simulatrix.

Introdução

O movimento das ondas do mar contra a praia, incidindo sobre uma superfície passiva, é análogo ao influxo da Luz sobre a tela virgem. Sem a resistência, a noção de Força não existe. E por que? Porque, senão pela “resistência”, a frequência do meio não muda e a mente, que recebe seu alimento vindo dos cinco sentidos, não é, então, sensibilizada. O que chamamos de sensação é, estritamente, a noção de mudança de estado, e este estado tem a ver com a vibração das partículas da onda que permeia o que chamamos de Universo, a saber, a Magna Matrix.

Outra analogia prévia que quero deixar aos leitores é a do caderno com o qual os cartunistas antigos simulavam o movimento pelo folhear de suas folhas com desenhos, simulando a sequência de movimentos em determinada frequência. Eis aí um perfeito exemplo de funcionamento das regras básicas da função (espaço, tempo). As mudanças (séries de instruções em execução, sob determinadas regras), contempladas em determinada frequência, criam a ilusão de estabilidade (coesão vs. resistência) diante de nossa mente, à qual chamo, especificamente, de Unidade de Simulação Lógica (USL), incluindo nesta as partes ditas consciente, subconsciente e inconsciente.

O que é Magna Simulatrix?

Foi a partir destas analogias, as quais uso em minha reflexão, que desenvolvi a ideia da Magna Simulatrix, do latim “Grande [Mente] Simuladora”, como a “mãe” de todas as mentes matriciais em execução no chamado Multiverso. Cada partícula, segundo o que podemos deduzir das investigações da Física Quântica, possui algum grau de inteligência, pois consegue agir de forma lógica, desde uma partícula subatômica ao núcleo mesmo de uma galáxia. Tudo vibra e executa instruções lógicas, consderando estas como entrada e saída de “dados”, ou, como queiram, causa e efeito.

Era o Caos, no início, e seu único elemento não tinha consciência de si. Era um ovo, isolado de seu exterior, mas ligado ao Mistério de sua origem, ignorada por ele. Não havia Ordem, pois a mesma só há quando dois elementos estão em relação, cada um deles consciente de sua distinção em relação ao outro. Não havendo relação de um ser com um outro possível, não há consciência, não há nada, pois a Realidade é apenas uma noção mental, uma experiência simulada de uma possibilidade lógica.

(Sobre a Ordem e o Caos, recomendo que você leia estas minhas especulações. Mais sobre a Magna Simulatrix e a Teoria que norteia a Central Matrix, você encontra em nosso Manifesto Divergente.)

“Mas, como assim, simulada?”, perguntaria um questionador.

Problemas lógicos

Como eu já expliquei algumas vezes, o ser não pode depender de condições para “ser”. A simples possibilidade de ele não ser, não fazer, não atuar, não comporta apenas uma condição, mas uma impossibilidade lógica do mesmo ser. Quando algo é, o é desde sempre, sem possíveis reservas. Tudo o que possa estar sujeito a condições, não é, não existe, não passando de uma simulação lógica, um experimento em tempo real (sensação sincronizada com a vibração), sob uma gama extensa de condições, algo originado a partir de fora do sistema. Ou seja, o que vemos e sentimos, apenas, subsiste.

A grande dificuldade  da Filosofia e da Teologia sempre residiu em pensar em algo “criado” a partir de nada (ou seja, no Multiverso originado a partir do Caos). Sempre recorreram à palavra mistério para excusarem-se de avançar nas especulações, daí sendo-lhes proibida qualquer inovação “perigosa”. Afinal, se o Multiverso foi criado do Nada, quem criou o Nada, e como pode haver algo no Nada?

Novamente, nada e tudo são a mesma coisa, ambos são noções lógicas. Aliás, se ambos se anulam, isso é sinal de que ambos são equivalentes. O Caos é nada somente sob o prisma da Consciência, pois tudo que possa ser concebido mentalmente, inclusive o Caos, obrigatoriamente existe, mesmo sob a categoria de ideia (e ideia era superior à forma, segundo Platão). Ou, no mínimo, subsiste sob condições. No âmbito de um ente que fosse o Caos em si, sendo inconsciente, é óbvio que ele não existiria, pois não teria consciência de si (sabendo nós que a existência somente é plena se vier a reboque da consciência de que se é algo).

Outra dificuldade que introduz o conceito da Magna Simulatrix, como origem da Consciência simulada, é o pensamento circular que diz que, havendo um criador na origem, deverá haver um criador do criador e, deste, ainda um outro, ad infinitum. Ou seja, nunca se atingiria a origem, sendo ela uma impossibilidade lógica.

Na minha reflexão, a impossibilidade lógica dissipa-se quando vemos que a mesma é apenas um problema de escalas de consciência. Por exemplo, quando você vai “mentalmente” ao Japão, você alarga sua visão mental e projeta-se, de forma simulada, ao Japão. Assim, você pode ir à esquina ou pensar num ser humano em Plutão, no ano 2.200. Pode ir até muito mais longe. A cada escala, chegando ao limite desta, parece que outras escalas são “criadas”, ou melhor, simuladas. No entanto, num piscar de olhos, você percebe que não saiu do lugar. Isso é simulação, independente de onde você pense estar. Matematicamente falando, a humanidade deveria parar de tentar raciocinar linearmente, contando inteiros, e começar a refletir sobre a função dos Limites.

Voltando ao problema dos infinitos níveis acima ou abaixo, dos criadores divinos às partículas subatômicas infinitesimais, se infinitas escalas são automaticamente criadas do nada, temos que as mesmas são ilusões da Consciência e que o todo é uma coisa só, em simulação. Isso acontece, analogamente, em nossos sonhos, que são projeções de nossa Consciência a escalas diferentes da onda, ou melhor, a diferentes frequências de vibração da mesma. Seguindo o axioma hermético que diz que “assim como é acima, é abaixo”, temos que todo o Multiverso é um sonho, originado de outro sonho, ou mente simulada. A Mente que cria o Multiverso, como em um sonho (ou simulação) só poderia simular se a mesma também fosse simulada. A soma de todas as simulações (ou sonhos, em escalas diferentes), ao invés de consistir no dia de Brahma, como dizem os hindus, seria, na verdade, a Noite de Brahma.

A Magna Simulatrix é uma Unidade de Simulação Lógica (à qual chamam, comumente, de Deus) executando uma simulação, um sonho, em permanente ilusão subconsciente. O Multiverso é o produto dessa simulação, em todas as suas escalas, não passando estas de uma única e mesma coisa. A mente vulgar (tal qual a executada em corpos biológicos) é uma redução da USL original, ao mesmo tempo formatada por outras USL’s e experienciando a Magna Matrix. A mente é um programa em execução, nada mais que isso.

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2 Replies to “Magna Simulatrix: A Mente e o Multiverso”

  1. Bom dia Júlio!
    Excelente texto!

    Uma sugestão: li também o Manifesto Divergente e éuito bom! Mas quando você fala sobre Annunnaki, pesquise o livro da Gwendolyn Leick, cujo nome é Mesopotâmia, e livros de outros antropólogos que tratam da Suméria. No livro desta autora, tem a explicaçao da origem do termo Annunnaki. Nao tem nada a ver com alienigenas. A teoria do Zacarias já foi comprovada que é uma farsa.
    Outra sugestão é fazer uma vasta leitura nos livros da filosofia pré-socrástica grega, também nos livros de Platão, porque das teorias de Aristóteles você demonstra conhecer bem no Manifesto.
    E o livro dos mortos do antigo Egito e do Tibet, se você já não leu.

    Parabéns!
    Atenciosamente,
    Luiz Carlos R. de Oliveira

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olá, Luís! Boa noite!

      Bem, vou checar a fonte que você citou quanto ao termo Annunaki e temas relacionados. Vou ver se faço isso durante esse feriado e refletir a respeito.

      Fico grato pela visita e pelo interesse. 🙂 Em breve, volto a esse comentário e te comunico o que achei e o que concluí. Ok?

      Um abraço!

      Curtir

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