Paradoxo: uma constante impossível

Paradoxo é uma anomalia lógica em que há um conflito entre opções que se anulam mutuamente. Ou seja, ao passo que uma hipótese inviabiliza a outra, ela própria torna-se inviável (ao menos, logicamente). Em síntese, é assim que conceituo um paradoxo. Vejamos, então, alguns exemplos de paradoxos lógicos para ilustrar a postagem de hoje.

O paradoxo, como vimos acima, pode ser visto como uma anomalia lógica, enquanto originada de uma declaração contraditória, por vezes entendida como um pensamento circular (ou, em inglês, um looping). Um beco sem saída, no sentido racional.

Exemplos

Um exemplo clássico é o paradoxo do ovo e da galinha. Afinal, quem nasceu antes: o ovo ou a galinha?

Se o ovo nasceu antes da galinha, o mesmo precisaria de uma outra galinha que o pusesse. Tal outra galinha também teria que ter nascido de um ovo que, por sua vez, teria de ter sido posto por uma terceira galinha. Retrocederíamos no tempo ad infinitum. Ou seja, sem saber como se deu a origem da espécie galinácea e como ela se tornou tal qual é, não teríamos uma resposta.

Entrando no terreno lodoso do pensamento religioso, poderíamos questionar um religioso assim: “Se Deus criou o Universo, quem (ou o quê) criou Deus?“.

Ora, pelas leis da Lógica e do pensamento tipicamente linear (do espaço-tempo), não pode-se conceber mentalmente algo sem início. A manifestação de “Deus” no espaço-tempo, pois, se torna ilógica, pois ele estaria inserido na finitude e na transitoriedade, o que o faria, ao menos no plano finito, ter um início (no que toca à sua manifestação). Assim, a ideia de Deus é inapreensível para a mente humana, que opera em nível binário (causa-efeito).

Se nada tiver criado Deus (ou seja, sendo ele “incriado”, segundo o Credo Apostólico), então ele surgira do Nada. Mas, como pode haver algo a surgir do Nada? Se havia algo a surgir do Nada, quem criou o Nada? Se alguém tiver criado um “nada”, assim aquele terá sido o criador de Deus, por consequência. Mas, ainda mais além, a língua coçaria: Quem terá criado o criador de Deus?

O paradoxo do barbeiro

Este paradoxo fora proposto por Bertrand Russell para ilustrar um outro dentre seus paradoxos matemáticos. Ele mostra como um cenário plausível pode se mostrar logicamente impossível.

O paradoxo afirma que, numa certa cidade, o barbeiro barbeia todos os homens que não barbeiam a si mesmos. Questão: quem barbeia o barbeiro?

  • Se o barbeiro barbear-se, logo ele não pode barbear-se (pois ele barbeia apenas aqueles que não se barbeiam);
  • Se o barbeiro não se barbeia, logo ele precisa barbear-se (pois os homens, naquela cidade, precisam frequentar o barbeiro, ou seja, ele mesmo).

Conclusões

O paradoxo é uma armadilha para a Lógica, principalmente a binária, que trabalha sobre opções exclusivas e alternativas (que se excluem, ao alternarem-se). Tais opções, arranjadas de forma interdependente, elas nos levam a um cenário “caótico”, em que tudo desmorona inexoravelmente se aquelas opções forem isoladas.

Mais ainda: o paradoxo causa um tilte à mente linear, pois sugere que o começo e o fim das coisas (ou seja,  causa e efeito) são apenas limites virtuais quando considera-se elementos fora dos planos de espaço e tempo em que estamos circunscritos.

***

LEIA MAIS:

  • Paradoxo. Wikipedia. Disponível em: < https://goo.gl/ga2G9f >. Acesso em: 29 de outubro de 2016.
  • Paradoxo do Barbeiro. Wikipedia. Disponível em: < https://goo.gl/oXCwT9 >. Acesso em: 29 de outubro de 2016.
  • Especulações sobre a Ordem e o Caos. Central Matrix. Artigo (online). Publicado em: 14 de fevereiro de 2016. Disponível em: < http://wp.me/p7di3d-2P >. Acesso em: 29 de outubro de 2016.
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