Admirável Gado Novo

Mesmo sendo crítico da postura pública de Zé Ramalho, é meu dever admitir que, como músico e compositor, ele é muito competente. Ele tem estilo próprio. Não sei se por apenas ter participado de movimentos ocultistas, numa época em que ser hippie era moda, mas é evidente o apelo ao que é oculto em suas letras.

Além de Avôhai, Zé Ramalho também lançou a música Sinais, em que ele mostra sua veia ocultista e, até mesmo, maçônica. No entanto, hoje falaremos de Admirável Gado Novo, que já foi, inclusive, tema da novela Rei do Gado, da Rede Globo. Do que trata, realmente, essa música de Zé Ramalho?

 É óbvia a associação entre o título desta música com a obra máxima de Aldous Huxley, a saber, Admirável Mundo Novo. Zé Ramalho mal consegue disfarçar sua predileção por temas iluministas.

Aliás, como eu demonstrei em postagem anterior, o cenário da história de Huxley não é profético por ser inspirado em alguma “revelação” sobrenatural, mas por ser o objetivo de uma agenda que deverá ser cumprida. O gado humano, sem se dar conta, deverá contribuir ativamente para a construção de seus próprios currais (e ficar feliz por sua condição).

Excetos os versos que puramente servem como nexos, podemos citar alguns trechos bastante emblemáticos no que toca ao anúncio da chegada da Nova Ordem Mundial.

Vocês que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro…
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber.

Todos os “projetos do futuro” consistem na uniformização dos seres humanos, na massificação da humanidade. A sensação de receber menos vem, justamente, da supressão da individualidade em favor de uma unificação que faça os povos parecerem substratos de um mingau. Diga-se: a Nova Ordem Mundial não visa a união (natural, por homeostase) das pessoas, mas a sua unificação forçada, sob pena de eliminação sumária dos divergentes.

Ê, ô, ô, vida de gado!
Povo marcado, ê!
Povo feliz!

Logo acima, lemos o refrão claro e objetivo da mensagem do cantor. Ainda que este tenha composto a música em época mais afastada, o texto nos faz lembrar que, desde sempre e para sempre, a humanidade fora criada para ser e agir como gado. Vigiado como gado, nutrido e engordado (quando conveniente) como tal, melhorado geneticamente como tal e abatido como tal.

Também é destaque o anúncio que o refrão representa sobre a futura (na verdade, já presente) “marcação” da população bovina dos seres humanos através de implantação de chips, justamente como faz-se com animais que devem ser monitorados, para que “não se percam” e permaneçam em “segurança” (dentro do pasto e dos estábulos). O mais incrível disso é a alegria que o gado manifesta em ser “cuidado” por seus “donos”.

Lá fora faz um tempo confortável,
A vigilância cuida do normal.

Tudo está bem para o gado, já que a tecnologia anestesiou as escaras que a cangalha lhe deixa no lombo. Tudo está ótimo! Drogas, sexo, fofocas, violência contra os outros (sorte de não ser a “peça de carne” abatida), um estábulo coberto que o proteja das intempéries. Alimentos (ração) com sabor marcante, que mate o rebanho enquanto este engorda. Espetáculos, venenos misericordiosos, abortos caridosos, massacres longe de nossas vistas. É pão e circo para o gado. Mal sabe este que o picadeiro não tem saída e que ele é atração principal dessa farra do boi.tumblr_mdas6iddzk1rcglu0o1_500A vigilância não cuida do gado em si, mas de manter o padrão do abate. Cuida de deixar tudo em paz (como a pax romana). Se queremos a paz, preparemo-nos para a Guerra. Aí, nos vem a paz dos túmulos. A paz psicodélica da tecnologia, dos chás silvestres e drogas urbanas nos garante que os gnomos existem e que teremos noites de estrelas multicoloridas enquanto nos chovem bombas e balas de fuzis.

Esperam nova possibilidade
De verem esse mundo se acabar.
A arca de Noé, o dirigível,
Não voam, nem se pode flutuar.

Obviamente, fala-se de eventos nefastos por vir. Novamente, digo que não penso serem esses versos inspirados nalguma profecia misteriosa, mas de checkpoints de uma agenda em execução, a pleno vapor.

Os dois primeiros dos quatro versos acima nos lembram aquilo que Jesus diz, quando anunciava que algumas pessoas vão querer estar mortas, sem conseguir isto. Há um verdadeiro frisson pelo fim do Mundo, quase uma torcida por ele, como se a mídia e as religiões direcionassem as pessoas a clamarem pelo cumprimento do que é decretado no livro do Apocalipse. Esperanças falsas, falsos profetas. Ilusões perdidas e extermínio. É isso que “eles” nos entregam e preparam.

Para citar outro cantor, Cazuza: Eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grande novidades.

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